Diversidade do Malawi: Mudanças dos dogmas à vista!

Um recente estudo (2007), conduzido por Christopher Scholz e colaboradores identificou novas evidências que explicam a explosão de espécies no lago Malawi. Foram estudos sobre sedimentos profundos da região do Malawi, entre outros, os quais puderam demonstrar como as antigas condições de clima e do ambiente aquático se encontravam naquela ocasião. Sim, pois a partir da composição desse sedimento – essas amostras são chamadas de testemunhos – e da maneira como estão estratificados é capaz de se saber como era o clima e a composição da fauna e flora local. Particularmente o fundo de lagos como o Malawi e o Tanganyka, especialmente quando há estratificação das camadas de água, geram ambientes anóxicos no fundo (após certas profundidades) que preservam melhor o material que será testemunhado no futuro.

No estudo em questão, foi constatado que entre 135 e 75 mil anos atrás, o clima da região africana mostrava-se muito árido, onde a pluviosidade era bem inferior à evaporação, algo que podemos imaginar que levou os lagos a níveis baixíssimos. Com esse trabalho, acredita-se agora que esse foi o gatilho para o início da radiação explosiva de espécies no lago Malawi. Os dados apontam que de 70 mil anos pra cá as condições climáticas e ecológicas tiveram pouca variação, exceto pelo reinício das chuvas.

Tudo a volta secou e em seu período mais crítico o lago Malawi esteve cerca de 580 metros abaixo de seu nível atual (95% a menos de seu volume), tornando-se extremamente alcalino e com uma quantidade elevada de sais (visto que estes não evaporam com a água) – precipitações de cálcio foram observadas. As evidências levam a crer que possivelmente os habitats rochosos foram praticamente eliminados, restando apenas ambientes predominantemente compostos por lama ou areia, onde os CAs tinham que conviver.

Por meio da massiva presença de diatomáceas (algas que possuem carapaças que remanescem nos testemunhos sedimentológicos) em certa seqüência das amostras, notou-se que o ambiente permaneceu por muito tempo com alta turbidez, minando a capacidade de resposta visual que os CAs possuem. Se lembrarmos do que hoje acontece no Vitória, com sua poluição, facilmente poderemos adivinhar o que aconteceu no lago Malawi, naquela época, com a alta turbidez da água: hibridismo! Pois então, isso compromete uma das três grandes fases de especiação que já conhecíamos: a escolha do macho pela fêmea, relacionado ao padrão de coloração dos CAs. Uma das hipóteses preferidas para explicar a alta diversidade do lago.

Podemos visualizar o quão recentes são as espécies que hoje habitam o lago Malawi – que já possuía um registro record no contraste entre o número de espécies e da recente colonização: 700 mil anos – oriundas de uma série de reproduções indiscriminadas. Sim, pois sem a resposta visual as fêmeas passam a preferir, por exemplo, machos maiores ou mais fortes ou mesmo mais agressivos, sem discriminar se ele pertence ou não a sua espécie ou comunidade. A tênue linha da cor é quebrada e as diferentes espécies híbridas surgidas se tornaram as predecessoras do que hoje temos no lago.

Esta é apenas uma nota daquilo que está por vir de informação. Aguardamos ansiosamente!



Johnny Bravo-2008

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