frank 3


Parte 3
Aturdido com suas descobertas sobre o aquário de “CAs” que vivia, o pequeno Frank teve pesadelos à noite... Em seu primeiro sonho se viu nadando pelo aquário. Sua visão era excelente, como nunca imaginara ter. Ao mesmo tempo, via os peixes que nadavam atrás dele, os que nadavam acima, os que passavam pelo lado, os falecidos cascudos no fundo...até que em certo ponto ele se deu de frente com a parede do aquário e se viu refletido... “- ahhhhh!!!” - assustou-se. Frank tinha dez olhos, um no papo, um sobre cada lado do opérculo, dois na cabeça em sentido longitudinal e no lugar de um olho normal de cada lado, tinha dois ali...e até o ocelo da cauda tinha se transformado num olho, propriamente dito. Acordou de sobressalto e não pode evitar outro berro... “- ahhhhh!!!” - assustou-se de novo. Soltou mais bolhas de terror do que a própria pedra porosa...havia acordado e dado de cara com uma imensa ampulária cabeluda (a luz do termostato estava acesa e ele pode ver; a ampulária tinha muitos tufos de peteca em sua carapaça). Como um bom ciclídeo, Frank se irritou com ela e começou a puxar suas antenas e beliscar todas as suas partes moles...a mãe de Frank viu a luta e ajudou-o despedaçando o pobre molusco (ainda bem*, talvez, pois a mais nova intenção do “Senhor dos Alimentos, da Neve e da Água Fria”: era utilizar a concha da ampulária - assim que ela morresse - para colocar um shell dweller em seu belo aquário de “CAs”). Agora tranqüilo, sob proteção da mamãe, Frank adormeceu de novo... Em seu segundo turbulento sonho, Frank se viu sendo “misturado por magia” (pelo mesmo poder da lâmpada branca mágica, que mesmo branca trazia todas as cores para o aquário) com a ampulária cabeluda (como no filme “A Mosca”)...e assim, sentiu a dificuldade de nadar, pois a concha que agora fazia parte de seu corpo atrapalhava as nadadeiras e pesava muito. Vivia, literalmente, com a dáfnia** atrás da orelha, pois nos tufos de petecas que agora tinha, habitavam grupos nômades de dáfnias malignas que faziam festas barulhentas toda noite e não o deixavam dormir – eram viciadas em microalgas e não sabiam fazer simbiose, prejudicando todo o conjunto habitacional. Com o coraçãozinho a mil por segundo, acordou novamente com medo; “abriu” um olhinho, espiou, procurou por algum ser horrendo, não achando “abriu” o outro, olhou, nada...abriu os outros oito (bricadeira, Frank não tem oito olhos não...hehehe). Estava com medo de dormir de novo e começou a pensar nos peixes que já vira no aquário de “CAs”, mas que morreram, deixando boas lembranças. Procurou em sua memória pelos mais belos...aí lembrou do oscar, do acará-bandeira, do apistogramma agassizi, do convict anão azul e rosa (que morreu devido àquela brincadeira de arremessar anões)...foi tranqüilizando e adormeceu... As questões: “no que vou me transformar, mamãe?” e “o que sou, mamãe?” ecoavam em sua cabecinha de peixe e, sem respostas, tudo para aquela jovem criatura era possível, uma vez que tudo em seu aquário era inexplicável, súbito e esquisito. Sempre que o “Senhor dos Alimentos, da Neve e da Água Fria” chegava perto, a maioria dos peixes se escondia, pois tudo podia acontecer: peixes sumiam, peixes apareciam, neve, pedras mudavam de lugar, água fria e tantas outras coisas. Nas reuniões de condomínio, em que Frank ia de vez em quando, muitos dos “CAs” reclamavam do mal estar depois da neve, outros reclamavam da comida, outros da qualidade da água e outros ainda reclamavam de outros ciclídeos. Isso tudo ficava na cabecinha de Frank e o induzia a imaginar. E foi assim que se imaginou em novo sonho, mas dessa vez sentia-se bonito, vistoso e raro. Tinha o pedúnculo caudal apontado para cima, com uma longa cauda véu de agassizi; na verdade, ainda de agassizi tinha duas nadadeiras dorsais semelhantes à cauda do agassizi. Sua nadadeira anal era de Aulonocara stuartgrant e a “pélvica”era, na verdade, a anal de um acará-badeira. Ele se admirava e foi ter com o espelho, na parede do aquário (na verdade, no pedacinho da parede que não tinha alga). Percebeu que haviam duas nadadeiras peitorais de cada lado e o que deveria ser um ocelo, como o de oscar, na caudal (de agassizi) era um olho...de repente um peixe-anjo (“Citrinellum ciliaris”...hehehe), com a face de sua mãe (claro!), apareceu em seu sonho. Ela reluzia um brilho tênue, deixava a água a volta sem gosto de sal, em temperatura gostosa, sem agressão ao muco e era capaz de livrar todos do medo de não saber da coisas. O anjo lhe disse que teria apenas dois olhos, independente do peixe que se transformasse, apenas duas nadadeiras peitorais, sendo uma de cada lado e que seria mais bonito que o papagaio e a flor. Ele sentiu-se seguro de abrir os olhinhos e viu sua mãe – tudo em alfa. Dessa vez ele desistiu de qualquer outra opção e foi dormir debaixo da nadadeira peitoral da mamãe. O Sr. Green assistia sua esposa confortar o pequeno alevino que delirava e balbuciava enquanto dormia. Ele disse: “ - Deve ser verme...” De manhã, Frank, parecia um peixe albino, pois por não ter dormido direito estava pálido e de olhos vermelhos. Nesse dia ele não quis brincar, ficou só olhando os demais “CAs”. *o “ainda bem” se refere apenas à concha quebrada e ao fato de que a concha – pelo menos aquela – não seria utilizada para matar, digo, manter um shell-dweller nesse aquário de “CAs”, e não diretamente à morte do molusco (não desmereço sequer a vida de uma ampulária, gosmenta, mole, monstruosa, feia e cabeluda...hehehe).
**dáfnia = pulga d'água.
Fonte: texto adaptado do “Livro do Hibridismo e Respeito em Aquário de CAs: histórias diversas para peixinhos questionadores”
Comentário da revista “Look Like Fish”: “este livro tem sido a solução psicológica para as mães de alevinos híbridos em todos os aquários do mundo” - by Robert Baiacú
Título original do Capítulo: “Relatos verídicos de casos fictícios”
Lingua original: borbulhês
Tradução: Johnny Bravo's Translations Company
Jonnhy Bravo - 2005

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